O vale se abre depois da caminhada
A trilha dos Saltos começa no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em São Jorge, e atravessa áreas abertas do Cerrado antes de revelar o vale do Rio Preto. Quando o salto de 120 metros aparece entre os paredões, dá para entender por que tanta gente escolhe gastar o dia nesse caminho. A vista é ampla, e a água parece pequena por um instante diante do tamanho do cânion.
Mais adiante, o salto de 80 metros mostra o rio de outro ângulo. O percurso passa também por marcas do antigo garimpo de cristais, uma história humana que faz parte da paisagem da Chapada. Vale reparar nelas e não reduzir a caminhada a uma sequência de mirantes. O campo, o vale e o rio mudam a leitura do lugar a cada trecho.
Na queda maior, o programa é contemplar do mirante. O banho fica nas áreas autorizadas do salto de 80 metros e nas Corredeiras, de acordo com a sinalização do parque no dia. Assim, o passeio tem pausas diferentes: uma para olhar longe, outra para chegar perto da água. Guardar tempo para as duas faz a trilha parecer menos uma meta de quilômetros e mais uma visita ao Rio Preto.
Quem vê apenas a fotografia do salto de 120 metros talvez não espere encontrar também a história do garimpo e as áreas de banho ao longo do circuito. São camadas do mesmo caminho. A trilha permite passar do horizonte aberto ao vale e, depois, à água em pontos autorizados. Essa variedade ajuda a explicar por que os quilômetros rendem um dia inteiro de descoberta.
Guarde fôlego para a volta
O circuito tem aproximadamente 11 km de ida e volta e costuma tomar de quatro a seis horas. A ida desce em alguns trechos; a volta devolve essas subidas ao caminhante. Sair cedo deixa espaço para parar nos mirantes, aproveitar a água onde for permitido e voltar sem transformar os últimos quilômetros numa pressa desconfortável.
A entrada é pelo centro de visitantes do parque nacional, na vila de São Jorge. Veja ali o mapa e as orientações da rota aberta naquele dia. Leve água e comida para várias horas, chapéu e calçado firme. O caminho atravessa áreas expostas, e uma mochila bem pensada permite prestar mais atenção à paisagem do que à falta de água no meio da trilha.
Os Saltos pedem mais disposição que uma visita curta a um poço, mas devolvem isso em vistas que mudam durante o percurso. Se o grupo tem ritmos diferentes, combine as paradas antes de sair e mantenha energia para o retorno. A melhor lembrança costuma vir do conjunto: caminhar pelo Cerrado, ver o vale de cima e terminar o dia sabendo por onde o Rio Preto corre.
Fontes deste guia
Consulta editorial em 24 de setembro de 2026.

